
Acharam um sutiã no ônibus. A histeria foi geral.
- Um sutiãããã!
- O quê? De quem?
- Não sei, mas estava aqui no meu banco.
A peça do vestuário íntimo feminino foi encontrada por Romeu. Justo ele, que era famoso por suas habilidades discursivas. Sua boa retórica já lhe havia conferido o nem um pouco importante título de "chavequeiro" da turma. As más línguas afirmavam, supostamente, que Romeu era muito bom no discurso direto. Levava as meninas inocentes para os últimos bancos, onde fazia uma criteriosa análise morfológica. Isso até aparecer um adjunto adnominal, e tornar o verbo intransitivo. Nesses casos, nem a oração resolvia.
Mas o fato é que dessa vez, Romeu tinha ido longe demais. Um sutiã? Isso já era caso de polícia. Ou de pastor. O problema era que, se onde há fumaça, há fogo, onde há sutiã...
Imediatamente deram início a uma busca detalhada por outras peças íntimas. Em vão. O máximo que conseguiram foi um cinto, que era um indício, mas não provava nada. Precisavam de mais evidências. Quem sabe uma meia.
- O que uma meia provaria?
- Uma meia, nada. Já uma meia-calça...
