
- Preciso ir ao banheiro!
- Não podemos parar agora. Agüente firme.
- Não da mais. Já está vazando..
Toda viagem é a mesma coisa. O ônibus começa a andar, e Débora já pede para ir ao banheiro. Alega que não pode segurar. Os amigos reclamam, dizendo que é ela que não para de beber água. A briga já se estende por anos, enquanto a incontinente Débora sofre com sua bexiga dilatada.
Por motivos de segurança, o banheiro do ônibus permanece sempre trancado. A experiência diz que é melhor assim. Infelizmente as pessoas não respeitam o aviso que diz: “favor não defecar”.
- Já disse que o problema é esse aviso. Ninguém entende!
- O que você sugere?
- Algo mais direto: Favor não evacuar!
Mesmo as pessoas que utilizavam o banheiro apenas para fazer xixi, foram terminantemente proibidas de utilizar o cubículo.
- Mas é só xixi...
- Não importa. Espere até o posto.
- Qual é o perigo?
- Acredite... Você não vai querer. O Marcelo disse que ia fazer xixi, e eu dei a chave. Quando ele saiu, achei que o banheiro é quem tinha feito xixi em cima dele.
O balanço do ônibus faz com que até mesmo o campeão mundial de tiro ao alvo acerte o espelho. Nada fica ileso. A problemática é simples: ou você segura, ou se segura. É praticamente impossível fazer os dois ao mesmo tempo. O jeito é esperar até o posto mais próximo, onde é possível equilibrar-se e fazer a mira de longe.
Na última viagem, tiveram que parar no meio da noite, na estrada. Roberto não agüentava mais. Culpava o acarajé. Segurou a respiração e correu para o mato, onde se acocorou em busca da melhor posição. Na mão direita, o papel higiênico. Na esquerda, o iPhone, que além de iluminar o caminho, serviria como entretenimento durante o trabalho de parto, que a julgar pelas contrações, seria cesariana.
Ao voltar para o ônibus, suado, Roberto carregava o mesmo olhar triste de Napoleão, após a batalha nos campus de Waterloo. Hoje, calejado pela experiência, Roberto carrega consigo um kit.
- E o que tem aí?
- Papel, caneta e um revólver!










