
A janela aberta permite que entre o vento gelado da madrugada. O quarto escuro, iluminado apenas pelo azul da televisão, tem poucos móveis. Uma cama desarrumada, uma cadeira de madeira onde repousa um despertador e um par de chinelos. Na porta, a figura estática de um homem.
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Da janela, observa a cidade. Tantas luzes, tantos sons, tanta gente. O suor escorre pelo rosto quente, contrastando o frio da garoa que cai, lá fora. Olha para a porta. Não há ninguém lá. Calça os chinelos, joga-se dentro de um roupão, e vai até a cozinha. Água! Precisa de água.
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Desliga a tv e senta-se na cama. "O celular!". Não. Não ligou. A madrugada vai alta, e não consegue dormir. Abre um livro, outro, outro. Olha-se no espelho. Abre o guardarroupas. Experimenta isso, aquilo, imagina-se dançando. Fica nu.
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Vai até o armário e procura o termômetro. "Devo estar com febre, não é possível". Não está. Abre o registro e deixa a água cair. Quente, afinal, não está tão desesperada assim. Deita-se na cama, molhada. A chuva parou, e pode-se ver a lua. Pega o celular. "Ligo?", pergunta-se. Não!
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Um pulo assustado o tira da cama. Sete horas. Uma mensagem: "Pensei em você a noite toda".
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O telefone toca. "Alô, E aí, Não tive coragem de ligar, Ai ai ai."

Nossa! Que mistééério! Gostei, parece um quebra-cabeça.
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